Dia 7 de agosto
a partir das 14h30
no Centro Cultural de Aracaju
A obra de Davi Cavalcante é o ponto de partida para a próxima edição do Criação de Tilápias, cujo debate pode passar por tópicos como forma e expansão, sobretudo por conta do trabalho Do que são feitos os muros — espécie de performance-instalação-escultura que, desde 2020, corresponde ao valor insólito das práticas do artista. Melhor dizendo, do multiartista, que encontra — em linguagens como o cinema, a fotografia e a performance — modos de fazer inclassificáveis, modos de fazer em expansão ininterrupta. Em Do que são feitos os muros, Cavalcante subverte, por exemplo, o uso tradicional de chaves de fenda para escrever palavras em blocos que, aos poucos, compõem o muro. Para o autor, isso é a representação de um conflito que esbarra tanto no racismo quanto em outras violências.
Da formulação até hoje, o trabalho passou por cidades como Belo Horizonte, Curitiba, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, reiterando uma característica das esculturas em campo ampliado, uma vez que abdica de um lugar fixo, de um lugar de abrigo, no qual pode desempenhar o papel de monumento. Na verdade, a transitoriedade é o signo que rege Do que são feitos os muros. A repetição, também. De uma cidade para outra, é claro, Cavalcante reproduz os gestos que podem classificá-lo como artista-construtor, artista-engenheiro ou, em outros termos, artista-pedreiro — designações que estão presentes no texto crítico de Luís Matheus Brito, mediadora do Criação de Tilápias, para a obra.